Quem sou eu

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Meu nome é Renata, sou professora de francês desde 2011. Sou formada em Letras : Língua e literatura francesa UFRGS. Tenho experiência no exterior, fui aluna da Sorbonne - Université Paris IV e também do Intitut Privé Campus Langues - Paris, fiz o estágio de professores de francês do Cavilam em Vichy. Fui professora e coordenadora da Aliança Francesa de Caxias do Sul por 8 anos. Atualmente tenho minha própria escola on-line de francês chamada Renatatouille_francês onde ministro aulas particulares ou em grupo pela plataforma Zoom.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Moulin Rouge

                O Douglas bem feliz em frente ao cabaré. Ainda me pede pra tirar uma foto. Mulher assim ele nunca mais vai achar.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O resgate do chocolate

 Hoje à tarde eu deixei o Douglas em casa traduzindo o seu projeto de tese e fui até a biblioteca da Cité estudar francês. Fiquei umas duas horas lá, depois saí e passei no supermercado. Eu estava sem pressa alguma, então fiquei olhando todas as prateleiras, estudando os produtos e pesquisando os preços. De repente,  me bateu uma felicidade, não me contive e comecei a rir sozinha. Quando eu iria imaginar que, numa quarta-feira, às quatro horas da tarde, eu estaria passeando num supermercado de Paris, sem outros compromissos para o dia, sem pressa de chegar a lugar algum, sem ninguém pra me cobrar coisa alguma. Fiquei curtindo a minha felicidade enquanto pacientemente tentava encontrar o creme de leite.  
 Comprei várias coisas para o jantar e também um chocolate para adoçar mais ainda o dia.  Depois de mais de meia hora, me dirigi ao caixa. Aqui na França não existe o empacotador. Você deve colocar as compras no caixa (sempre tire da cesta, porque eles jamais farão isso por você), correr para o outro lado, pagar e empacotar tudo, bem rápido, antes que o próximo cliente te olhe com cara feia. Fiz todo o procedimento em tempo recorde, pois tinha uns dois clientes atrás de mim, e voltei para casa saltitante.
 Quando cheguei, o Douglas, como sempre, me beijou e correu para as sacolas pra ver o que eu tinha comprado . Eu já me antecipei e disse: comprei um chocolate que deve ser uma delícia. Ele desembalou todas as compras e falou: que chocolate? Não tem nada aqui.
 Como não? Eu comprei, tenho certeza. – Olhei na notinha e lá estava ele: Tab. Chocolat au lait.........1,50. Mas revirei as sacolas e não o encontrei. – Naquela pressa de empacotar, acabei esquecendo no caixa o meu chocolate, só pode ser. E agora, Doug? Vem comigo ver se por sorte ainda está lá. – Ele aceitou, mas tínhamos dois problemas: 1º) A próxima pessoa poderia muito bem ter empacotado junto com as suas compras (a moça do caixa não iria nem perceber);  2º) O mico! E em francês.
 Chegamos ao “Marché Franprix”, e cadê a caixa que me atendeu? Nem sinal da mulher. O caixa estava vazio e sem o meu chocolate. Outro caixa estava funcionando com um rapaz atendendo, que tinha uns quatro ou cinco clientes na fila. Não quisemos passar vergonha com tanto público, então resolvemos entrar no supermercado e procurar a moça. Dessa vez, eu estava com toda pressa do mundo e nem um pouco feliz. Caminhamos de um lado pro outro e nada. Quando estávamos saindo desanimados do mercado, a moça surgiu de uma porta imperceptível. Já abordei: S’il vous plaît. J’ai acheté un chocolat et  je pense que je me suis oublié ici.  – Ela sorriu simpática e foi correndo pegar meu chocolate que ela tinha guardado debaixo do caixa em que trabalha. – Merci beaucoup, eu respondi com a boca nas orelhas.
 É incrível como temos sorte em recuperar itens perdidos. Enquanto escrevo este post, saboreio um chocolate francês. E é uma delícia!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

La conversation

            Hoje fizemos a primeira aula de conversação aqui na Cité: quatro brasileiros, dois vietnamitas, um argentino, um iraniano, uma espanhola, um taiwanês e uma professora francesa muito divertida que conseguiu fazer todo mundo soltar a língua contando um pouco da cultura e dos costumes do seu país. Por diversas vezes eu fiquei maravilhada com os depoimentos, como o do taiwanês explicando a importância dos dragões e o do iraniano falando sobre a diferença entre Irã e Pérsia.  Não há reportagem ou livro que supere a proximidade com um determinado canto do mundo ao ouvir alguém que vem desse lugar. 


Ps. Essa semana o Douglas conseguiu encaminhar a inscrição dele na Sorbonne Nouvelle. Que orgulho!

 


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Renatatouille

Igual ao Ratatouille, eu saí de um mundo em que estava protegida e segura para um universo diferente, desconhecido, inundado por cheiros, sabores e imagens deslumbrantes. Mas diferente do Remy, que conhece os temperos e sabores pelo olfato, a Renata aqui se confunde com as embalagens. Esses dias eu quase comprei molho de pimenta achando que fosse de tomate, troquei o leite por iogurte e demorei duas horas e meia pra achar o açúcar. Aqui ele é vendido em caixinha. Com produtos de limpeza, a situação não muda: é difícil diferenciar o detergente de louça do amaciante . Com o Douglas não é diferente: ele comprou papel toalha achando que fosse papel higiênico.    
Prefiro cozinhar em casa a ter que comer por aí, até porque, em tese, eu sei o que estou comendo. Teve uma amiga aqui da casa que foi jantar fora esses dias e pediu língua de boi achando que fosse uma picanha suculenta. Restaurante é pior do que supermercado, porque o garçom fica ali, esperando você se decidir. O bom mesmo são as “pâtisseries” e as “boulangeries”. Estou viciada nelas: não posso ver uma que já quero entrar e provar uma daquelas guloseimas deliciosas. Aos poucos vamos aprendendo o nome das coisas e comendo melhor.
Também estou me virando bem no fogão de duas bocas da Maison: faço misturas inusitadas com as verduras fresquinhas do Primeiro Mundo, o atum por preço de sardinha e os queijos variados e cheirosos. Estou pensando em me inscrever num curso de culinária para o segundo semestre. Sempre gostei de cozinhar e, aqui na França, essa vontade se intensifica a cada dia. Quem sabe não volto ao Brasil e monto um negócio: “Pâtisserie et Boulangerie Renatatouille.”

domingo, 12 de setembro de 2010

Paris é uma rave

Ontem decidimos fazer um passeio mais parisiense e menos turístico. Caminhamos pelas margens do Sena, bem devagar e com paradas para descansar e curtir a paisagem. Tentamos dar uma espiada no Louvre, mas foi impossível.  Ele estava tomado de turistas e uma fila gigantesca para entrar.   Continuamos nosso caminho pelo Sena, passamos pela Pont Neuf, a Pont des Arts (forrada de cadeados que os amantes perduram para selar o amor) e, entre outras, a ponte Alexandre III, que é uma verdadeira obra de arte. Nas margens do Sena tinha pouca gente por ser um domingo de sol: alguns casais namorando, alguns senhores dando milho aos pombos e um homem-banda tocando Be-Bop-A-Lula debaixo de uma das pontes.
Quando sentimos fome, estávamos pertinho da Torre. Decidimos parar pra comer, mas ali perto não tem muitas opções, a não ser aquelas carrocinhas que cobram preço de caviar as baguetes com molho. Rodamos até achar um barzinho que parecia ser simpático. O dono estava pendurando umas bandeirinhas de vários países, inclusive a do Brasil . Resolvemos entrar, e descobrimos por que todas aquelas bandeiras. Pedimos um panini italiano, feito à moda americana por uma cozinheira árabe que falava francês. No rádio tocava Shakira e, além de nós, tinha dois índios e dois coreanos comendo.  
Depois daquela refeição globalizada, seguimos nossa caminhada até a Torre e lá encontramos uma multidão de gente. Por todo lugar.  Os arredores da Torre estavam tomados por turistas de todo o mundo, africanos vendendo minitorres, bolsas e água, peruanos tocando e fazendo performances (isso tem na Via Del Vino também) e mais uma infinidade de coisas que poluíam aquele lugar de tal forma que eu comecei a me sentir mal. Então, seguimos rumo ao metrô para procurar um lugar mais calmo.
                Igreja de Sacre Coeur, eu disse pro Douglas, lembra que teu médico falou que era um lugar maravilhoso, que dava pra ver a cidade toda? Deve ser uma maravilha. Já fiquei imaginando: uma igreja no alto de uma montanha, com um gramado enorme ao redor, meu amado e eu sentados debaixo de uma árvore vendo o pôr-do-sol sobre Paris.
                Não podíamos perder tempo, pois já eram 5 horas. Pegamos o metrô em direção ao Château Rouge. Com o mapa na mão, vimos que nosso destino ficava a um quilômetro no máximo da saída do metrô. Mas, na chegada, eu levei um susto. Não parecia Paris. Um monte de gente gritando na rua, um guarda dando instruções às pessoas para que lado ir, gente vendendo milho, espetinho de gato. Por um momento achei que tinha sido teletransportada para algum outro lugar bem longe do Primeiro Mundo. Passando aquela multidão, começamos a achar as ruas que nos levariam até o nosso paraíso. Eram morros e escadas enormes. Depois descobri que era um bairro africano de Paris – aqui, muitos imigrantes sobrevivem vendendo souvenirs e comida na rua –, e que era o horário em que as pessoas estavam chegando do trabalho e congestionando as ruas.
                Subimos uma escadaria gigante e já começamos a ver o topo da igreja. Eu subia rápido, pois estava ansiosa para chegar naquele lugar e fugir da turba. Quando chegamos ao topo da escadaria eu quase caí de costas: outra multidão!  Não sei estimar, mas certamente mais de 1000 pessoas. Na frente da igreja, um pessoal fazendo uma performance de rap misturado com algum ritmo estranho e um povo ao redor gritando e batendo palmas. Na escadaria e no gramado em frente à igreja, mais um monte de gente assistindo um americano de camisa rosa e chapéu de malandro que executava (duplo sentido) sucessos do pop internacional e clássicos da canção francesa
Decidimos procurar algum lugarzinho pra ver o pôr-do-sol com mais tranquilidade, mas não achamos. O lugar que tinha menos gente, não dava pra enxergar nada. Tentamos entrar na igreja pra encontrar um pouco de paz. Pra nosso novo espanto, descobrimos  que lá dentro rola um comércio de velas e umas maquininhas parecidas com fliperama. Você coloca uma moeda e cai uma medalhinha de santo. Imaginem a cena: o padre rezando a missa e, de repente, plim, plim: barulho de cassino no meio da celebração. Fiquei chocada com o que vi.  Saímos da igreja e, como última esperança, buscamos um lugar mais alto e que pudéssemos escalar pra fugir daquele circo dos horrores. Só achamos uma rua, bem ao lado do santuário. Camelódromo, este é o nome no Brasil. Aqui em Paris, ainda não sei como chamam. Vocês podem imaginar que tem de chaveiros até quadros, porém a coisa mais bizarra que vi foi uma camiseta estampada com a igreja de Sacre Coeur, a Marilyn Monron, a Torre Eiffel e o Moulin Rouge, tudo junto, na mesma camiseta.  Depois dessa, decidimos voltar para casa. Passamos novamente pelo Château Rouge, entramos no metrô e atravessamos a cidade até a Cité Universitaire.
                Mas que tragédia! O que salvou nosso passeio foi a caminhada pelo Sena. Não temos dúvidas que nossos próximos passeios pelos pontos turísticos da cidade serão durante a semana. Aos sábados e domingos, o melhor passeio em Paris é algum parque desconhecido ou então um cineminha.   
O homem banda
Sacre Coeur 


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O metrô de Paris

                  No terceiro dia aqui em Paris fizemos a carteirinha de transporte chamada “Navigo”, que nos custou 60 euros cada. Com ela e por este valor mensal, podemos usar qualquer tipo de transporte: ônibus, tramway, RER, metrô... Nós estamos usamos mais o metrô, que é uma maravilha. São muitas linhas que ligam toda a grande Paris. Em todas as estações encontramos um mapa da cidade indicando as linhas e as principais ruas. É impossível se perder.
                Nos túneis do metrô, tem muitos cartazes divulgando filmes, peças de teatro e shows. E você encontra de tudo: gente falando línguas que você nem imagina de onde sejam, artistas de alto nível fazendo concertos, inclusive com o trem em movimento, e também malucos de todo tipo, falando sozinhos, gesticulando coisas estranhas, aquele tipo que você olha uma vez e fica com medo de olhar de novo, achando que ele vai pular em você e arrancar seu cérebro para comer no café da manhã.

                 Na festa que teve ontem aqui na Maison (comemoração dos 50 anos da fundação de Brasília) conversamos sobre isto. Um rapaz contou que tem muito maluco que se joga na frente do trem. Deve ser por causa da “politesse francesa” que não deixa os indivíduos perderem a compostura em nenhum momento. O mesmo amigo contou que presenciou a cena de um francês sendo multado. Na saída ele agradeceu ao guarda e ainda desejou um bom dia, e ele jurou pra nós que o cara não estava sendo irônico. Claro que eles ficam malucos: a raiva contida tem que sair por algum lugar.
                Temos um ponto de metrô na saída da Cité Universitaire; é só apontar o dedo para qualquer lugar no mapa da cidade, ver as linhas que nos levam até lá e nos aventurarmos por Paris. Hoje estamos pensando em ir para o Porte d’Orleans ou então visitar o “Cimetière du Montparnasse”, onde estão enterrados, entre centenas de outros, Baudelaire, Cortázar, Sartre e Mme de Beauvoir. 
 











quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O tempo voa

Estamos há uma semana aqui em Paris e só conseguimos sair duas vezes para conhecer a cidade. O restante do tempo, ficamos como baratas correndo atrás de papéis, carteirinhas, seguros... A França é um país muito burocrático.
               Hoje de manhã, conseguimos nos inscrever num grupo de conversação, aqui dentro da Cité Universitaire mesmo.  
O tempo está passando muito rápido; tenho pouco tempo para escrever e muita coisa para contar. A vida é intensa por aqui. Aí vão umas fotos do Jardim de Luxemburgo que conseguimos visitar hoje à tarde:  








segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Turistas

     Primeiro final de semana em Paris. Não fazia menos de 25 graus, com sol intenso. No dia anterior tínhamos conhecido uma mineira, a Graziela, que chegou no mesmo dia que nós. Ela nos convidou para um passeio por Paris com uma amiga que já mora há dois anos na cidade. Saímos ainda ao meio-dia de casa, paramos para almoçar num restaurante aqui perto da Maison du Brésil e seguimos em direção ao metrô. Não tínhamos ticket nem carteirinha de transporte, mas não tivemos dificuldade para comprar os bilhetes nas maquininhas bem sinalizadas. Mais tarde, com a ajuda da nossa guia, a Clarissa, fizemos o cartão de transporte mensal, que serve tanto para ônibus, metrô ou trem, para qualquer canto de Paris.
                O passeio foi sensacional, e a nossa guia foi de uma boa vontade incrível. Fomos até à Torre de metrô e a pé fizemos o trajeto: Arco do Triunfo, Champs Élysées e Louvre. Tudo é lindo!  É emocionante caminhar pelas ruas e avenidas de Paris. A cidade está florida, os casais namoram nas margens do Sena e os noivos tiram fotos na Torre Eiffel.
                Amanhã não é feriado como no Brasil, mas haverá uma greve dos funcionários públicos. Aproveitaremos para conhecer a pé os arredores da Cidade Universitária.
              

domingo, 5 de setembro de 2010

O Fantasma da Imigração

                Desembarcamos no Charles de Gaulle às 14:50 e fomos atrás da nossa bagagem. Foi só botar o pé ao lado da esteira que chegaram nossas quatro malas, lacradinhas e ainda com as fitas (vermelha, azul e branca) que eu tinha colocado na alça.
                Agora vem a pior parte, comentamos, a Imigração. Fomos saindo do setor de bagagens já preparados para enfrentar o interrogatório. Caminhamos mais um pouco. Vimos a placa de saída do desembarque e um monte de gente do lado de fora com placas na mão exibindo os nomes mais estranhos que já vi até hoje. Fomos seguindo e: O quê, já estamos saindo do aeroporto? Cadê a imigração? A fila gigantesca? Os cães farejadores? Nada. Ficamos preocupados: será que tínhamos que procurar pela Imigração antes de sair da sala de desembarque? Mas sempre achei que isso era um pré-requisito, sem opção de escolha. Pra garantir, tentamos entrar lá pra procurar, mas nada feito: depois de sair não tem volta. O Douglas foi pedir informação, mas a francesa não sabia informar: disse que não estava entendendo nosso problema e que se estávamos ali é porque já tínhamos passado pela Imigração.
 Preciso de um carimbo de que entrei na França, o Doug falou, muito preocupado. Então eu lembrei que, no embarque da Holanda para a França, a Polícia Federal havia carimbado nossos passaportes, só que na hora eu não tinha me dado conta do que se do que se tratava. Ele conferiu o passaporte dele e lá estava o carimbo indicando a entrada em Amsterdã. Se é do carimbo que você precisa, a gente já tem, eu disse. Mas, e a Imigração? Cadê?
Caminhamos mais um pouco pelo aeroporto e perguntamos novamente para um rapaz que estava saindo do desembarque. Ele riu da minha preocupação e disse que já tínhamos passado pela Imigração na chegada em Amsterdã. O quê? Essa era a tal Imigração que todo mundo fala que é horrível, que demora horas? Aquela policial sorridente, que pegou nossos passaportes e, depois de ver o visto de estudante do Douglas, fez a simples pergunta em inglês: Qual a área de estudos? Teoria da Literatura, o Douglas disse. Boa estada, ela respondeu. Sem filas, nem pastores alemães,  nem policiais chatos, nem burocracia alguma.
Cinco minutos depois de constatarmos que estava tudo em ordem entre a nós e a França, pegamos um táxi para a Maison du Brésil, nossa casa pelos próximos 10 meses.                

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A viagem

              Saímos de Bento às 8:30 da manhã. O pai do Doug nos levou até o Salgado Filho. Declaramos os bens importados na Receita Federal e embarcamos pela TAM a São Paulo para a primeira conexão. Para a nossa sorte, a bagagem foi despachada direto a Paris. Uma hora e pouco de voo e descemos em Guarulhos. Ficamos 5 horas esperando entre um voo e outro. Mas sem as malas para atrapalhar, conseguimos circular por todo o aeroporto e o tempo passou voando. Às 19 horas embarcamos com mais trezentas pessoas no Boeing 777-200 da KLM com destino a Amsterdã. Apesar da classe ser econômica, que luxo de voo! Perdi a conta de quantas vezes aquelas elegantes aeromoças holandesas, loiríssimas, passaram com comidas, bebidas e delicadezas. Até lencinho umedecido, quente e cheiroso para limpar as mãos. Além do atendimento finérrimo, tínhamos um DVD com fones e controles individuais.  A programação do aparelho era gigantesca: dava pra dar umas 50 voltas ao mundo e não repetir nada. Além de muitos filmes, tinha músicas, jogos e uma tela onde apareciam as coordenadas do avião: o tempo e os quilômetros que já tínhamos voado, a altura em que estávamos, a velocidade e o tempo que restava de viagem. Nem deu tempo para se entediar. Quando cansava de ler o Ponche Verde, via um filme, e assim passaram horas sem eu perceber. Chegou um momento em que lembrei de olhar para os lados: o avião dormia, inclusive o Douglas. Resolvi tentar dormir também, mas só o que consegui foram umas cochiladas de vez em quando.
Foi a noite mais rápida da nossa vida: 5 horas de fuso confundem um pouco nosso cérebro. Tomamos o café da manhã ainda no avião e às 11:35 desembarcamos no aeroporto Schiphol.
                A cidade de Amsterdã, vista de cima, é uma beleza: Tudo planinho, gramados enormes, casas  simétricas. Pena que ficamos só duas horas por ali. Só deu tempo de conhecer um bar no aeroporto e sair correndo para pegar o último voo, dessa vez pela Air France. Nesse voo encontramos muitos brasileiros. Acho que eram de algum pacote turístico, pois todos se conheciam e se comunicavam berrando de um canto a outro do avião. O Doug e eu ficamos disfarçados ali no meio e quando o aeromoço francês veio nos servir eu pedi em francês pra ele não pensar que estávamos junto com a galera do carnaval aéreo.  
                Uma hora e vinte de voo, o piloto deu sinal de que iríamos pousar...
                e....
                lá estava ela...
                Bem longe, pequena ainda.....
                Será que é? Disse o Doug.
                Nisso o avião se aproximou mais e confirmamos:
                Era mesmo!  
                A Tour Eiffel!
                Nesse momento, trocamos um último olhar e nem falamos mais nada. Cada um ficou com seus pensamentos e sentimentos. Chegar pertinho de Paris e ver a Torre é uma sensação mágica, como seu eu estivesse chegando em algum reino encantado de que ouvia histórias quando criança. Meu coração começou a pulsar muito forte.   Apertei a mão do meu amado que devia estar sentindo algo parecido e aproveitei aquele momento que poderia durar uma eternidade que eu não cansaria.  Mas foram só uns minutos. Paris, nous sommes arrivés!